quinta-feira, 19 de julho de 2012

A desonestidade de uma nação nasce, cresce e se alimenta dos pequenos atos de cada cidadão. Se a nossa é grande, a culpa é sua. A culpa é nossa.


             Os costumes do dia-a-dia, apesar de não percerbermos, têm seus reflexos diretos em nossa cultura, e vice-versa. Rotineiramente damos um "toco" para que o guarda não nos multe; para que o flanelinha (vulgo "dono da rua") guarde nossa vaga enquanto saímos (vi isso hoje, enquanto eu e uma amiga tentávamos estacionar); furamos fila; buscamos fugir das fiscalizações policiais para não sermos pegos com alguma infração; alguns, claramente se aproveitando do descaso do governo para com as viaturas policiais e sabendo da vantagem do próprio veículo sobre os da polícia, simplesmente fogem, etc. Resumindo, tudo para que nós fiquemos com alguma vantagem sobre os "otários" que seguem as normas. Se tudo isso parece tão normal a ponto de não causar qualquer constrangimento nem a quem faz, nem a quem assiste, como poderíamos esperar que aqueles que nos representam e lidam com o dinheiro público, ficassem chocados diante das barbáries, desvios, descasos e abusos para com ele? Se nós, ditos cidadãos comuns, não nos preocupamos em rever nossas atitudes visando não evitar punições, mas promover uma melhor convivência social, por que o faria a classe política ou qualquer outra?
              Fazendo uma comparação, tomemos a Baleia Azul (que é simplesmente considerado o maior animal do planeta) como a corrupção. Os Krills, uma minúscula espécie de camarão, como os atos desonestos nossos de cada dia. A Baleia Azul (Corrupção)  alimenta-se dos Krills (atos desonestos cotidianos). Cresce, se desenvolve e, como não poderia haver outro fim, gera seus filhotes (tudo aquilo diretamente relacionado a ela como a oferta dos serviços de saúde e educação de qualidade medíocres; Uma distribuição de renda tão justa quanto comparar a força de um homem com a de um bebê prematuro e doente; etc).
            A honestidade nasce dos pequenos comportamentos como, por exemplo NÃO furar fila; NÃO pagar propina a quem quer que seja; NÃO buscar escapar dos agentes do Estado quando ele está (tentando) fazendo seu papel; num estabelecimento ou lugar qualquer, dar preferência a idosos, grávidas pessoas com crianças de colo, etc. São tantos que morreria falando de todos, até porque o conceito de "certo" e "errado" é extremamente pessoal para que uma só pessoa, quem quer que seja, diga os critérios do julgamento. Em resumo, uma frase que sempre se mantêm atual: Gentileza gera gentileza. Do mesmo modo, honestidade gera honestidade.
                A desonestidade de uma nação nasce, cresce e se alimenta dos pequenos atos de cada cidadão. Se a nossa é grande, a culpa é sua. A culpa é nossa.

Um comentário:

  1. Muito interessante. O "eu não posso" é intenso pelo nosso país. Mas, se muitos saírem dele, a corrupção sai junto ou se reduz drasticamente. O problema segundo sobre isso é o imediatismo, pensando esses muitos que os resultados positivos não chegarão por não vê-los no dia seguinte. Os processos de mudança cultural geralmente são lentos, mas creio que possíveis.

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