terça-feira, 22 de março de 2011

CORROMPIDO?! EU?! ME RESPEEEITE!!


É interessante como as pessoas, quando ouvem alguma notícia "nova" sobre corrupção, dizem com todo o gás e batendo no peito: "AQUELES NÃO SÃO NOSSOS REPRESENTANTES!!" Agora, a pergunta que nega em se calar: "Será mesmo que somos tão diferentes assim?"
Bem, pode até haver quem discorde de mim, mas eu penso que... NÃO! Aqueles que lá se encontram representam, de fato, nosso povo! Haverá quem diga: "Eu?! Corrupto?! Jamais!"; Outros diriam que "não pode-se julgar sem as provas", etc. Enfim, para essa questão existe todo tipo de argumentação. Uns SE defendem, outros atacam, outros preferem "assoprar a ferida", etc.
Bom, primeiramente vamos começar indo ao famoso Papai dos Burros, eis a definição da palavra "Corrupção" no dicionário online Michaelis:

1 Ação ou efeito de corromper; decomposição, putrefação. 2 Depravação, desmoralização, devassidão. 3 Sedução. 4 Suborno. Var: corrução.

Voltando ao início da discussão, penso que, vendo de uma maneira geral, o comportamento da sociedade brasileira legitima o comportamento dos seus representantes mais desonestos. "Como?! Eu?! Me respeite!" diriam alguns... É só dar uma pequena olhada nos pequenos detalhes do nosso dia-a-dia. Ações como furar fila, guardar o lugar de alguém numa sala lotada de gente, pagar o famoso "toco" para o guarda fechar os olhos para aquela multinha básica, ocupar aquele lugar no ônibus que é reservado para idosos, etc, etc, etc.
Infelizmente, nós somos ensinados para "EXIGIR" nossos DIREITOS (e olhe lá...), mas quando o assunto é "CUMPRIR" nossos DEVERES...xiiii!! Aí a coisa muda de figura... É sempre mais cômodo colocar a culpa no outro do que questionar nossas práticas cotidianas e buscar soluções para os problemas que nos afligem. A corrupção não se resume a operações financeiras extraordinárias (fora da ordem = desvios), mas consiste essencialmente em CORROMPER/ ROUBAR/ DESRESPEITAR/ PRIVAR DE, geralmente para benefício próprio, o direito de outrem a algo, prejudicando a vida em sociedade, seja em maior ou menor grau.
Por exemplo, quando furamos uma fila (qualquer que seja ela: ônibus, banco, etc), estamos CORROMPENDO/ ROUBANDO/ DESRESPEITANDO/ PRIVANDO aquela pessoa que teve o trabalho de acordar e sair mais cedo de casa, e que chegou primeiro que nós àquela fila de realizar sua viagem "confortavelmente" sentada nos nossos maravilhosos, lindos, silenciosos e estáveis transportes públicos (seja ônibus ou metrô). O mesmo acontece quando chegamos mais cedo na sala de aula (ou sala de cinema, que seja...) e querendo que algum amigo(a) nosso(a) sente-se perto de nós, enxergue bem e aprenda tudo direitinho, guardamos um lugar para ele(a)! Claro, com as melhores intenções (dessas, o inferno tá cheio)! Porém, o mesmo argumento do caso anterior (da fila) repete-se: quem acordou e saiu de casa primeiro, chegou àquele lugar mais cedo, acaba tendo seu direito de escolher um lugar melhor (e se essa pessoa pensou naquele que estávamos guardando?) CORROMPIDO/ ROUBADO/ DESRESPEITADO por alguém que, apesar da "Boa intenção", cometeu uma MÁ AÇÃO. O "toco do guarda", demonstra como somos plenamente capazes de, em nome de nossos interesses próprios e particulares, participar ativamente de um esquema de corrupção que, simplesmente, se inicia nos adeptos desta prática. "Qual o direito CORROMPIDO/ ROUBADO/ DESRESPEITADO?" O direito de um trânsito seguro para todos.
São apenas exemplos de como e por que penso que nossos políticos são, - infelizmente - nada mais e nada menos, que um retrato fiel de nossa sociedade. Há quem me diga que não há como mudar, porque o sistema é muito grande e o problema é maior do que se imagina. De fato, é! Enorme! Mas se tem uma coisa que aprendi no meu amado curso de Psicologia, recém concluído (É TÃO BOM DIZER ISSO!!), é que, assim como não há ser humano sem conflitos, contradições, ansiedades, pulsões que o fazem mudar constantemente; também NÃO HÁ SOCIEDADE IMUTÁVEL, ENGESSADA EM SI MESMA!
Uma característica que percebo muito presente em nossa cultura é nossa dificuldade de enxergar-se no lugar do outro, uma influência (na minha opinião) bem clara da elite que domina nossa sociedade. Essa dificuldade de ver-se como coletivo termina por sectarizar os setores sociais, legitimando o "cada um por si" e esvaziando completamente o sentido de ver/ enxergar/ perceber o outro, que aquele, assim como eu, também possui dificuldades, sofre, etc. Tudo é problema do outro...até que me atinja!
Finalizando, se quisermos que um dia (claro que não da noite para o dia) nossos políticos cumpram as promessas que são feitas, que sintam-se incomodados em desviar verba pública, ou colaborar para este fim, que sintam-se verdadeiramente comprometidos com o seu papel de representante eleito: de zelar pelo bem comum, moralidade, dignidade de todos os que aqui vivem, etc., temos de começar a corrigir pequenos erros do dia-a-dia. E, por fim, lembrando que tudo é uma construção e cabe a nós (não a eles) levantar as paredes, tijolo a tijolo...