segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Ninguém sabe a dor que é a de não poder ser criança



Ninguém sabe a dor que é a de não poder ser criança

Vi um dia um menino,
Agachado e chorando,
chorava sangue sem ser santo.
No gogó, prendia um grito
Enquanto olho, insisto
Lembrando minha infância:
Treloso, traquino, só ânsia!
Olhando-o, me foge a fé...
Ninguém sabe a dor que é não poder ser criança.

Chorava sem um arranhão,
Já tendo de ser adulto,
E sentir como um insulto
Ver doer o coração.
Corpo, em paz... já mente, não.
Vendo povo com bonança,
E sua fome em constância!
Quase nenhum couro no pé,
Ninguém sabe a dor que é não poder ser criança.

Chora por sua vivência,
Por faltar meninice,
Por sobrar adultice,
Não conhecer a inocência
Nem de vista ou aparência!
Toda aquela lagrimância
Salta por aquela pequenância!
Não é de motivo qualquer...
Ninguém sabe a dor que é não poder ser criança.

Não olhamos com o valor
Que merecem os pequenos.
Talvez vendo-os ingênuos,
Ou apenas nos falte amor...
Sem preconceito ou terror!
Seus recursos sem estância,
Discursos sem ressonância!
A sociedade vai de ré...
Porque ninguém sabe a dor que é não poder ser criança.

Julius Cavalcanti
02/05/2011