quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Sobre aquela tragédia...

       Não que o tema da tragédia na boate Kiss não mereça destaque e/ou respeito, mas acredito que cabem algumas reflexões rápidas. Por exemplo, a cobertura "sanguessuga" que a mídia tem feito deste evento tem me feito perguntar quanto pontos no IBOPE vale a dor humana? Diante da inexplicável dor pela perda trágica e inesperada de parentes e amigos num incêndio que (deveria) poderia ter sido evitado, a grande mídia, de maneira geral, só se preocupava com um aspecto: quem tinha dados e fotos da tragédia mais rápido! A lógica que me pareceu foi: lágrimas ao chão; direto para a televisão! Como disse no início do texto, não que a tragédia não mereça destaque e/ou respeito, merecem sim e muito! Porém, do mesmo modo, as pessoas que ali estavam (mortas, "mortas", ou vivas) merecem que sejam tratadas como pessoas; não como um objeto a ser mostrado a troco de pontos no IBOPE.
       Outra coisa que me chamou a atenção foi a rapidez com que o governo tratou de fiscalizar todas as boates do país, criar leis mais rígidas, e fechar clubes e boates irregulares. Me pergunto: as irregularidades não já estavam ali ANTES da tragédia Kiss? Por que não foram fiscalizadas e fechadas ANTES? Por que só agora? Será que SEMPRE vamos ter que esperar chegar uma tragédia como essa, mais de 230 pessoas mortas, mais de 200 famílias sentindo uma inigualável dor e perda, para que as autoridades (simplesmente) façam cumprir a lei? Fiscalizando, multando ou até interditando mesmo.
Sobre essa mesma questão, pergunto: ATÉ QUANDO vai durar essa "sede por vingança" contra as boates e clubes irregulares? Ou seja, quando as coisas voltarão ao, infelizmente, "normal"? Espero, sinceramente, que, depois deste ocorrido, a fiscalização seja mais dura, de verdade! Detalhe: a fiscalização deve ser feita tanto pelas autoridades, quanto pelos clientes que, ao verificarem alguma irregularidade, podem acionar os agentes públicos. Afinal, seu trabalho é esse.
     Por fim, outra pergunta me veio à cuca: E se, no lugar de uma boate, este incêndio tivesse acontecido numa comunidade pobre de uma cidade pobre qualquer, será que a mídia e os governantes seriam tão "dedicados" assim? Afinal, pobre, de uma maneira geral, não frequenta boate...